Preciso navegar

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Dia desses, ouvi dois caras conversando. Eram amigos suponho. Até que um deles saiu com a seguinte frase: “E aí, gostou do meu gado?” Frase esta, que seria completamente normal se eu estivesse em uma fazenda, ou num leilão. Mas não, pelo contrário, estávamos em um restaurante. E o outro, o mais sensato dos dois suponho, fez um ar de riso, e me lançou um olhar meio de quem está constrangido, meio de quem está sentindo uma vergonha alheia daquelas. Isso porque a minha expressão na hora, não deve ter sido das melhores, e sim, ele deve ter percebido. O sujeito estava, se referindo à namorada, mulher, seja lá o que for. Acredita?

O cara, de quem estou falando, era do tipo baixinho 1.60 no máximo, e não era nenhum Brad Pitt, mas tinha um ego, perceptivelmente do tamanho da torre Eiffel. E eu não tinha o menor interesse na história dele, porém o tom que ele conversava dava pra ser ouvido do outro lado da cidade.

No entanto, o que me deixou incomodada, não foi a frase dele. Foi o fato da mulher a quem ele estava chamando de “gado” estar sentada ao seu lado, e não ter esboçado a menor reação. Seja por indignação ou constrangimento. Ela se manteve ali, com as mãos sobrepostas à mesa.

Peguei-me pensando por um momento, o porquê de uma pessoa estar com um homem assim. E cheguei à conclusão de que não existe explicação para certas coisas. A falta de amor próprio dela, a levava a estar nesta condição. Ou o amor que talvez ela sentisse por ele, a fizesse ficar anestesiada. De fato, não compreendo certas coisas. E essa é uma delas.

Interessante que uma vez num livro, tinha uma frase mais ou menos assim: “A gente só aceita o amor que acha que merece”. E isso meus caros, a falta de amor próprio, não há ser humano que explique. Existem sim, várias teses, e desculpas para isto. Mas eu na minha simples percepção (que pode estar errada) me convenci de que, quem não consegue se achar dentro de si, não se olha no espelho e diz pra si mesmo que: “- Eu sou a minha melhor companhia, eu me basto”. De fato, não se ama ou não sabe o que é amor. E essas pessoas, buscam outras, que de algum modo suprem esse silencio absurdo que elas têm dentro de si, e se deixam levar pela maré.

Confesso que eu queria muito ir até lá, e dizer pra ela, que ela podia e deveria, nadar contra a corrente, mas me dei conta de que as vezes temos que deixar as pessoas acharem os seus caminhos. Quem sabe ela não precise chegar até a beira da praia para perceber que existem sim, outros oceanos por onde ela pode e precisa navegar. Torço muito pra que isso aconteça, não só com aquela mulher, mas com todos que como ela estão perdidos neste mar de desamor.

Ps¹.: Eu não sou detentora da razão, esta é somente um percepção que tenho sobre o assunto abordado acima.

Ps².: Se você não sabe a qual livro me referi, ele se chama “As vantagens de ser invisível”.

Ps³.: A trilha sonora do filme, que foi baseado neste livro, é simplesmente incrível, mas vou deixar pra comentá-la em um outro post.

Roseane Jéssica

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